Tabela de Gravidez Semana a Semana

Acompanhe o desenvolvimento do bebê semana a semana da concepção ao parto.

Selecione a aba e preencha os dados para ver o card da semana.

Tabela completa — 40 semanas

Tabela de Gravidez Semana a Semana

Acompanhar o desenvolvimento do bebê ao longo das 40 semanas de gestação é uma experiência única e emocionante. Cada semana traz transformações visíveis — no embrião, no feto e no corpo da mãe — que representam marcos importantes do processo de formação de uma nova vida. Esta tabela foi elaborada para ajudar gestantes, familiares e profissionais de saúde a compreender o que acontece em cada etapa da gravidez, com linguagem acessível e informação baseada em evidências obstétricas atuais.

Como a gestação é contada e dividida

A gestação é contada a partir do primeiro dia da Última Menstruação (DUM), mesmo que a fecundação ocorra apenas por volta do 14º dia do ciclo. Por isso, nas primeiras duas semanas de gestação, o embrião ainda nem existe — o corpo já está se preparando para a ovulação e possível fecundação.

A duração média de uma gravidez a termo é de 40 semanas (280 dias), embora qualquer nascimento entre a 37ª e a 42ª semana seja considerado dentro do intervalo normal. A gestação se divide em três grandes fases, chamadas de trimestres:

  • Primeiro trimestre (semanas 1 a 12): Período de formação dos órgãos vitais (organogênese). É a fase de maior vulnerabilidade do embrião a agentes teratogênicos — substâncias que podem causar malformações. O risco de abortamento espontâneo é maior neste período.
  • Segundo trimestre (semanas 13 a 27): Fase de crescimento acelerado e desenvolvimento dos sentidos. O feto começa a apresentar movimentos perceptíveis pela mãe e os contornos do corpo ficam bem definidos. A maioria das gestantes sente alívio dos sintomas do primeiro trimestre.
  • Terceiro trimestre (semanas 28 a 40): Amadurecimento dos sistemas orgânicos, ganho de peso intenso e preparação para o parto. Os pulmões são os últimos órgãos a alcançar maturidade funcional completa.

A contagem exata da idade gestacional é fundamental para interpretar corretamente os resultados de exames, calcular a data provável do parto (DPP) e tomar decisões clínicas oportunas durante o pré-natal.

Primeiro trimestre semana a semana (semanas 1 a 12)

O primeiro trimestre é o período mais crítico do desenvolvimento fetal. É nessa fase que ocorre a organogênese — a formação de todos os órgãos essenciais. Qualquer agressão nesse período (infecções, medicamentos teratogênicos, álcool, radiação) pode causar malformações irreversíveis.

Semanas 1 e 2: O ciclo menstrual está em curso. O corpo produz os hormônios FSH e LH para estimular a ovulação. Tecnicamente ainda não há embrião, mas a contagem gestacional já começa a partir do primeiro dia da última menstruação.

Semana 3: Ocorre a fecundação na tuba uterina. O zigoto se divide rapidamente em células (clivagem) e migra em direção ao útero. Ao final da semana, o blastocisto se implanta na parede uterina — evento chamado de nidação —, e começa a produzir hCG (gonadotrofina coriônica humana), hormônio detectado pelos testes de gravidez.

Semana 4: O embrião tem o tamanho de um grão de papoula (cerca de 1 mm). O disco embrionário se diferencia em três camadas germinativas: ectoderme (originará pele, sistema nervoso e sentidos), mesoderme (originará ossos, músculos e sistema cardiovascular) e endoderme (originará órgãos digestivos e respiratórios). O coração primitivo começa a se formar.

Semana 5: O tubo neural (precursor do cérebro e da medula espinhal) começa a se fechar. O coração já bate de forma primitiva, embora ainda não seja sincronizado. O embrião mede cerca de 4 mm. Muitas mulheres notam os primeiros sintomas de gravidez: náuseas, cansaço intenso e sensibilidade nas mamas.

Semana 6: O fechamento do tubo neural deve estar completo até esta semana. A suplementação de ácido fólico é vital nessa fase para prevenir defeitos do tubo neural, como espinha bífida e anencefalia. Os botões dos membros superiores e inferiores surgem. O coração bate entre 100 e 160 vezes por minuto, podendo ser detectado pelo ultrassom transvaginal. O embrião mede cerca de 6 mm.

Semana 7: O cérebro se divide em três regiões distintas (prosencéfalo, mesencéfalo e rombencéfalo). Os olhos e as narinas começam a se formar. Os rins primitivos aparecem. O embrião mede cerca de 10 mm e tem postura curvada, semelhante a um C.

Semana 8: Os órgãos internos principais estão em formação acelerada. Os dedos das mãos começam a se diferenciar. Os primeiros movimentos espontâneos ocorrem, embora a mãe ainda não os sinta. O embrião mede aproximadamente 16 mm e pesa cerca de 1 grama.

Semana 9: As pálpebras estão em desenvolvimento, cobrindo os olhos. Os rins começam a produzir urina. A musculatura esquelética se forma. A partir desta semana, o embrião é chamado oficialmente de feto — marcando a transição da fase de formação para a fase de crescimento.

Semana 10: Todos os órgãos essenciais já estão formados, embora ainda imaturos. O feto começa a engolir líquido amniótico. As impressões digitais se formam. Mede cerca de 3 cm e pesa em torno de 4 gramas. O risco de aborto espontâneo cai significativamente a partir desta semana.

Semana 11: O feto pode abrir e fechar as mãos. Os reflexos primitivos já estão presentes. O Doppler já pode captar os batimentos cardíacos com clareza. Os genitais externos começam a se diferenciar, mas o sexo ainda não é visível pelo ultrassom.

Semana 12: O feto mede cerca de 6 cm e pesa cerca de 14 gramas. É o momento ideal para a realização da translucência nucal (TN) com marcadores bioquímicos (PAPP-A e beta-hCG livre), rastreamento de primeira escolha para síndrome de Down e outras cromossomopatias. O intestino, que até então se desenvolvia fora da cavidade abdominal, retorna ao seu lugar definitivo.

Segundo trimestre semana a semana (semanas 13 a 27)

O segundo trimestre é frequentemente descrito como o “período dourado” da gravidez. As náuseas do primeiro trimestre tendem a diminuir, a barriga começa a aparecer e a mãe passa a sentir os primeiros movimentos do bebê.

Semanas 13 a 15: O feto cresce rapidamente, passando de cerca de 7 cm para mais de 10 cm. Os movimentos se tornam mais coordenados. O cabelo, as sobrancelhas e as pestanas começam a crescer. O sistema digestório está funcional e o pâncreas produz insulina. A placenta assume completamente a função de nutrir o feto, que antes dependia do saco vitelino.

Semanas 16 a 18: A mãe pode começar a sentir os primeiros movimentos fetais — uma sensação descrita como “borboletas no estômago”, bolhas ou pequenos toques suaves. Esse fenômeno é chamado de quickening. Em primíparas, ocorre tipicamente entre a 18ª e a 20ª semana; em gestantes que já tiveram filhos, pode ser percebido mais cedo. Os ossos do feto estão se calcificando e ficam visíveis ao ultrassom.

Semana 20: Marco central da gestação: a maioria dos casais realiza a ultrassonografia morfológica do segundo trimestre entre a 20ª e a 24ª semana. Esse exame avalia detalhadamente a anatomia do bebê — estruturas cerebrais, coração com suas quatro câmaras, rins, abdômen, coluna vertebral, membros e face. Na maioria dos casos, também permite identificar o sexo. O bebê mede cerca de 25 cm (comprimento cabeça-calcanhar) e pesa em torno de 300 gramas.

Semanas 21 a 24: Os sentidos se desenvolvem intensamente. O bebê ouve sons do ambiente externo e responde a estímulos luminosos. A pele ainda é fina e avermelhada, coberta de vernix caseosa (substância protetora esbranquiçada). O surfactante pulmonar começa a ser produzido a partir da 24ª semana — marco crítico para a sobrevivência extrauterina em casos de prematuridade extrema.

Semanas 25 a 27: O bebê apresenta ciclos de sono e vigília cada vez mais definidos. Pode chupar o polegar. O cérebro se desenvolve intensamente — os sulcos e circunvoluções cerebrais começam a aparecer. Mede cerca de 36 cm e pesa aproximadamente 900 gramas. O índice de sobrevivência para bebês nascidos nesse período, com cuidados intensivos neonatais, supera 80%.

Terceiro trimestre semana a semana (semanas 28 a 40)

No terceiro trimestre, o foco é o amadurecimento dos sistemas orgânicos — especialmente pulmões e sistema nervoso central — e o ganho de peso que preparará o bebê para a vida fora do útero.

Semanas 28 a 31: Os pulmões continuam a produzir surfactante em quantidade crescente. Os olhos abrem e fecham de forma ativa. O bebê pode reconhecer a voz da mãe e responde a estímulos sonoros com movimentos. A medula óssea assume completamente a função de produzir células sanguíneas. Mede cerca de 40 cm e pesa em torno de 1.300 gramas na 28ª semana.

Semanas 32 a 34: Ocorre intenso acúmulo de gordura subcutânea — o bebê perde progressivamente a aparência enrugada. O sistema imunológico recebe anticorpos maternos pela placenta (imunoglobulinas IgG), que fornecerão proteção passiva nas primeiras semanas de vida. Os movimentos fetais ficam mais perceptíveis, porém o espaço no útero começa a diminuir com o crescimento.

Semanas 35 a 37: Os pulmões estão quase completamente maduros. O bebê assume a posição cefálica (cabeça para baixo) na maioria dos casos, em preparação para o parto vaginal. A lanugo (pelos finos que cobriam o corpo) começa a ser absorvida. As unhas atingem a ponta dos dedos. O bebê é considerado “pré-termo tardio” nesse intervalo — já tem boas chances de sobrevivência, mas ainda se beneficia de cada dia adicional no útero.

Semanas 38 a 40: O bebê está a termo. Todos os sistemas orgânicos funcionam de forma autônoma. O peso médio ao nascimento é de 3.200 a 3.600 gramas e o comprimento de 48 a 52 cm. O útero começa a ter contrações de Braxton-Hicks mais intensas e frequentes. A cabeça fetal desce em direção à pelve materna — processo chamado de insinuação ou encaixamento —, sinalizando a aproximação do parto.

Sintomas comuns por trimestre

Primeiro trimestre

  • Náuseas e vômitos (enjoo matinal): afetam até 80% das gestantes; são causados pelo aumento rápido do hCG
  • Cansaço intenso: o corpo trabalha intensamente para formar a placenta e manter o embrião
  • Sensibilidade mamária: os seios ficam mais pesados, doloridos e com as aréolas mais escuras
  • Aumento da frequência urinária: o útero em crescimento pressiona a bexiga
  • Alterações de humor e choro fácil: flutuações hormonais acentuadas são normais

Segundo trimestre

  • Alívio das náuseas na maioria das gestantes, com melhora do apetite
  • Dores lombares leves com o crescimento progressivo do abdômen e alteração do centro de gravidade
  • Congestão nasal e sangramentos leves pelo nariz (rinite gestacional por vasodilatação)
  • Varizes e inchaço leve nos membros inferiores ao final do dia
  • Pigmentação da pele: linha negra no abdômen, melasma (manchas escuras no rosto), escurecimento das aréolas

Terceiro trimestre

  • Azia e refluxo gastroesofágico: o útero aumentado pressiona o estômago para cima
  • Dificuldade para dormir: impossibilidade de deitar de barriga para baixo ou cima; travesseiro entre as pernas ajuda
  • Contrações de Braxton-Hicks: contrações irregulares, geralmente indolores, que preparam o útero para o parto
  • Inchaço nos pés e tornozelos, especialmente no fim do dia e em dias quentes
  • Dispneia leve: o útero grande pressiona o diafragma, reduzindo a capacidade pulmonar

O que muda no corpo da mãe

Ganho de peso recomendado: As recomendações do Institute of Medicine (IOM) variam conforme o IMC pré-gestacional:

IMC pré-gestacionalGanho total recomendado
Abaixo do peso (< 18,5)12,5 a 18 kg
Peso normal (18,5–24,9)11,5 a 16 kg
Sobrepeso (25–29,9)7 a 11,5 kg
Obesidade (≥ 30)5 a 9 kg

Alterações na pele: A maioria das gestantes desenvolve estrias no abdômen, seios e quadris, causadas pela distensão rápida da pele. A linha nigra (faixa escura que vai do umbigo à região pubiana) é causada por hiperpigmentação hormonal e desaparece após o parto. O melasma afeta cerca de 70% das gestantes e costuma ser agravado pela exposição solar — o uso de protetor solar diário é essencial.

Mamas: Aumentam progressivamente de tamanho e peso ao longo da gestação. A aréola escurece e os tubérculos de Montgomery (pequenas glândulas na aréola) ficam mais proeminentes. O colostro (líquido precursor do leite materno, rico em anticorpos) pode aparecer espontaneamente a partir do segundo trimestre.

Assoalho pélvico: O peso crescente do útero e do bebê sobrecarrega os músculos e ligamentos do assoalho pélvico. A prática regular de exercícios de Kegel durante a gravidez fortalece essa musculatura, prevenindo incontinência urinária de esforço e facilitando a recuperação pós-parto.

Sistema cardiovascular: O volume sanguíneo total aumenta em até 50% durante a gestação. A frequência cardíaca materna eleva-se, em média, 10 a 15 batimentos por minuto. A pressão arterial tende a cair ligeiramente no segundo trimestre e retornar ao normal no terceiro.

Alimentação na gestação por trimestre

Primeiro trimestre: prioridade ao ácido fólico e adaptação

O ácido fólico deve ser suplementado idealmente desde antes da concepção e durante todo o primeiro trimestre (400 a 800 mcg/dia), pois é essencial para o fechamento do tubo neural. Fontes alimentares ricas em folato: feijão, lentilha, espinafre, brócolis, aspargo e gema de ovo. A suplementação farmacológica é, no entanto, a forma mais segura de garantir a dose adequada.

Dica prática: Se as náuseas forem intensas, faça refeições menores e mais frequentes (a cada 2 a 3 horas). Biscoitos de água e sal ao acordar, antes de levantar da cama, ajudam a reduzir o enjoo matinal. Evite alimentos com odor forte, frituras e bebidas gaseificadas.

Segundo trimestre: foco no ferro e no cálcio

As necessidades de ferro aumentam significativamente (27 mg/dia) para sustentar o aumento do volume sanguíneo e a formação da hemoglobina fetal. Fontes alimentares: carne vermelha magra, fígado (com moderação), feijão, couve, lentilha, sementes de abóbora. Consuma junto com vitamina C (laranja, acerola, limão) para potencializar a absorção do ferro não-heme.

O cálcio (1.000 mg/dia) é essencial para a mineralização óssea do bebê. Fontes: leite, iogurte, queijo, tofu, brócolis, couve, gergelim. Se a ingestão alimentar for insuficiente, o organismo materno mobiliza cálcio dos ossos para suprir as necessidades fetais.

Terceiro trimestre: ômega-3 e controle das porções

O ômega-3 (especialmente DHA — ácido docosahexaenoico) é crucial para o desenvolvimento cerebral e da retina fetal nas últimas semanas de gestação. Fontes: sardinha, atum light, salmão (com moderação), linhaça e chia. A suplementação de ômega-3 com DHA pode ser indicada pelo obstetra.

Alimentos a evitar durante toda a gestação: queijos moles não pasteurizados (brie, camembert, roquefort), carnes cruas ou mal passadas, sushi com peixe cru, peixes com alto teor de mercúrio (cação, peixe-espada, cavala), brotos crus, álcool em qualquer quantidade, excesso de cafeína (máximo 200 mg/dia, equivalente a 1 xícara de café expresso).

Movimento do bebê: quando começa e o que esperar

Os primeiros movimentos fetais percebidos pela mãe são chamados de quickening (em inglês) ou solavanco fetal. Em primíparas (primeira gravidez), geralmente ocorrem entre a 18ª e 20ª semana. Em gestantes que já tiveram filhos, a percepção pode ser mais precoce, por volta da 16ª semana, pois já conhecem a sensação e têm músculos abdominais menos tensos.

Inicialmente, os movimentos são sutis — descritos como borboletas, bolhas, pequenos toques ou “uma bolinha rolando”. Com o passar das semanas, tornam-se chutes, espreguiçamentos e viradas mais vigorosas e perceptíveis por terceiros colocando a mão no abdômen.

A partir da 28ª semana, os obstetras frequentemente recomendam a contagem de movimentos fetais (kick counting). Um método simples e validado: escolha um horário fixo (geralmente após a refeição principal, quando o bebê tende a ser mais ativo) e conte os movimentos. O normal é sentir 10 movimentos distintos em até 2 horas. Caso não perceba essa quantidade, mude de posição, beba algo gelado, espere mais um pouco — e, se a ausência persistir, entre em contato com o obstetra ou vá à maternidade.

Padrões que merecem atenção imediata:

  • Redução súbita dos movimentos habituais (o padrão do seu bebê é sua referência)
  • Ausência total de movimentos por mais de 12 horas
  • Movimentos excessivamente fracos comparados ao padrão das últimas semanas

Tamanho do bebê em cada trimestre

É comum comparar o tamanho do bebê a frutas e vegetais para tornar o desenvolvimento mais visualizável e emocionante:

SemanaComprimento aproximadoComparação popular
54 mmSemente de gergelim
81,6 cmFramboesa
103 cmAmeixa
126 cmLimão siciliano
1612 cmAbacate
2025 cmBanana
2430 cmEspiga de milho
2837 cmBerinjela
3242 cmCoco maduro
3647 cmAlface americana
3849 cmAlho-poró
4050–52 cmMelancia pequena

Valores médios populacionais. Bebês saudáveis podem ter tamanhos ligeiramente maiores ou menores sem que isso represente problema.

Como usar esta tabela

Para aproveitar ao máximo esta ferramenta:

  1. Calcule pela DUM: insira o primeiro dia da sua última menstruação e a calculadora identificará automaticamente em qual semana gestacional você se encontra hoje.
  2. Navegue semana a semana: use a tabela para consultar o desenvolvimento esperado para cada semana específica, desde a formação do embrião até o parto.
  3. Compare com seus exames: leve as informações ao pré-natal e discuta com seu obstetra as medidas do ultrassom, os marcos de desenvolvimento e quaisquer dúvidas.
  4. Acompanhe os sintomas: use as seções de sintomas e alimentação para compreender o que está acontecendo no seu corpo e tomar melhores decisões no dia a dia.

Esta ferramenta é educativa e de apoio ao acompanhamento gestacional. Ela não substitui consultas médicas regulares, exames laboratoriais, ultrassonografias ou qualquer orientação de profissional de saúde habilitado.

Perguntas Frequentes (FAQ)

A gravidez dura exatamente 40 semanas?

A duração média da gestação é de 40 semanas a partir da DUM, mas o intervalo considerado normal vai de 37 a 42 semanas. Gestações entre 37 e 38 semanas e 6 dias são chamadas de “a termo precoce”, entre 39 e 40 semanas e 6 dias de “a termo completo”, e entre 41 e 41 semanas e 6 dias de “a termo tardio”. Apenas gestações com 42 semanas ou mais são classificadas como pós-termo e demandam avaliação médica para decisão sobre indução do parto.

O bebê pode nascer antes da semana 40 e ser saudável?

Sim. Bebês nascidos entre a 37ª e a 42ª semana são considerados a termo e em geral não apresentam complicações relacionadas à prematuridade. Bebês nascidos entre 34 e 36 semanas e 6 dias (pré-termo tardio) podem necessitar de cuidados adicionais na UTIN para suporte respiratório e controle glicêmico, mas têm excelente prognóstico. Quanto mais próximo de 39 semanas completas, maiores são as chances de desenvolvimento pulmonar pleno e melhor desfecho neonatal.

Quando devo começar a suplementar ácido fólico?

O ideal é iniciar a suplementação de ácido fólico pelo menos 1 a 3 meses antes de tentar engravidar e mantê-la durante todo o primeiro trimestre. A dose habitual é de 400 a 800 mcg/dia para gestantes sem fatores de risco adicionais. Mulheres com histórico de gestação anterior afetada por defeito do tubo neural, em uso de anticonvulsivantes ou com condições que interferem na absorção de folato podem precisar de doses maiores (até 4.000 mcg/dia) — sempre com orientação médica individualizada.

O que é o ultrassom morfológico do segundo trimestre?

É um exame de ultrassom detalhado, realizado preferencialmente entre a 20ª e a 24ª semana, que avalia minuciosamente a anatomia do bebê: estruturas cerebrais (cérebro, cerebelo, coluna, plexo coroide), coração (quatro câmaras, vias de saída), rins, bexiga, abdômen, lábio e palato, membros e dedos. Permite detectar a maioria das anomalias estruturais mais prevalentes e, frequentemente, identificar o sexo do bebê. Avalia também a placenta, o líquido amniótico e o colo do útero.

Por que sinto tantas náuseas no primeiro trimestre?

As náuseas da gravidez são causadas principalmente pelo aumento rápido do hCG (gonadotrofina coriônica humana), produzido pelo embrião logo após a implantação. O pico do hCG ocorre por volta da 10ª semana e coincide com o período de mais intensa náusea. Também há influência da progesterona, que retarda o esvaziamento gástrico. Em geral, as náuseas melhoram após a 12ª ou 14ª semana. Em casos graves (hiperemese gravídica, com perda de peso e desidratação), pode ser necessário tratamento com hidratação intravenosa e antieméticos.

Quando minha barriga começa a aparecer visivelmente?

Em primíparas, a barriga geralmente começa a ser visível externamente entre a 16ª e a 20ª semana. Em gestantes que já tiveram filhos, pode aparecer algumas semanas antes, pois os músculos abdominais já foram previamente distendidos. No primeiro trimestre, o útero ainda está dentro da pelve e o abaulamento que algumas mulheres sentem se deve principalmente a gases intestinais e retenção hídrica hormonal.

Posso fazer exercício físico durante a gravidez?

Sim. Para a maioria das gestantes sem contraindicações, a prática de exercícios moderados é benéfica e recomendada por obstetras e pela OMS. Atividades de baixo impacto como caminhada, natação, hidroginástica para gestantes e yoga pré-natal são bem toleradas ao longo de toda a gestação. Exercícios de alta intensidade, com risco de queda, contato físico ou esforço excessivo abdominal devem ser evitados. É fundamental obter liberação médica antes de iniciar ou manter qualquer programa de exercícios durante a gestação.

O que são as contrações de Braxton-Hicks?

São contrações uterinas irregulares, geralmente indolores ou levemente desconfortáveis, que ocorrem principalmente a partir do segundo trimestre e se intensificam no terceiro. Funcionam como um “treino” do músculo uterino para o trabalho de parto real. Diferentemente das contrações verdadeiras, as de Braxton-Hicks não aumentam em frequência, duração ou intensidade ao longo do tempo, costumam ceder com repouso ou mudança de posição e não causam dilatação cervical.

Como saber se estou em trabalho de parto verdadeiro?

Os sinais clássicos de trabalho de parto incluem: contrações regulares que aumentam progressivamente em frequência (a cada 5 minutos ou menos), duração (mais de 60 segundos) e intensidade; rompimento da bolsa amniótica (saída de líquido transparente em grande quantidade pela vagina); perda do tampão mucoso (secreção gelatinosa rosa ou com estrias de sangue) e dilatação progressiva do colo do útero confirmada pelo exame de toque. Diante de qualquer desses sinais, dirija-se imediatamente à maternidade para avaliação.

Quando o bebê consegue ouvir sons dentro do útero?

A audição fetal começa a se desenvolver por volta da 16ª semana, quando as estruturas do ouvido interno já estão formadas. A partir da 24ª–25ª semana, o bebê já demonstra resposta comportamental a estímulos sonoros externos — acelera os movimentos ao ouvir a voz da mãe ou música alta. Falar, cantar e colocar música suave próxima ao abdômen pode ser uma forma de estimulação sensorial e criação de vínculo afetivo pré-natal.

O ganho de peso na gravidez volta ao normal após o parto?

A maioria das mulheres perde grande parte do peso ganho nas primeiras semanas após o parto — correspondente ao bebê (média de 3,3 kg), placenta (~0,7 kg), líquido amniótico (~1 kg) e retenção hídrica. A amamentação exclusiva favorece a perda de peso adicional, pois consome cerca de 500 calorias por dia. O retorno ao peso pré-gestacional depende do ganho total durante a gravidez, da alimentação, do nível de atividade física e da genética individual — em geral, é esperado ao longo dos 6 a 12 meses após o parto.